Carajás Esporte

verde

Sem referência e com pontas em noite ruim, Flamengo vê Palmeiras abrir ótima vantagem

Diante de adversário muito bem montado defensivamente, rubro-negros não conseguem penetração pelos lados com Marinho e Everton Cebolinha

Se nas duas rodadas anteriores o Flamengo teve oportunidade de encurtar a distância para o Palmeiras, neste domingo, em Goiânia, o time entrou no Estádio da Serrinha obrigado a vencer para manter pelo menos a diferença de sete pontos. Não conseguiu, e ela aumentou para nove. O empate por 1 a 1 aconteceu muito em função de dois fatores: a dificuldade de chegar à linha de fundo e a falta de uma referência na frente.

Marinho e Everton Cebolinha erraram muito e não conseguiram conectar jogadas com Ayrton Lucas e Matheuzinho. Com Mateusão treinando há apenas uma semana no profissional e Gabigol e Pedro suspensos, Dorival Júnior optou por Victor Hugo. Flamengo ficou sem um 9 de ofício.

A escolha é compreensível, até porque na base Victor Hugo já executou variadas funções no ataque. É alto, sabe fazer a parede, tem bom cabeceio e finaliza com os dois pés. Mas não conseguiu ser a referência ofensiva de um Flamengo que vinha contando com Lázaro nas partidas da equipe B.

Thiago Maia, um dos melhores em campo, admitiu que faltou uma referência plantada entre os zagueiros para prender a bola e dialogar com os atletas que exploram os corredores laterais. Citou Pedro como o grande nome para a função.

– Não digo que atrapalhou (a falta de uma referência), mas com certeza que Pedro e Gabi ajudam bastante. Costumamos dizer que o Pedro é nosso desafogo. Apertou, a gente chuta para frente, e ele faz a parede, que é o que ele sabe fazer de melhor – disse Maia, líder de desarmes do time, com quatro, mesmo número de Matheuzinho.

Pedro Raul foi é a referência do Goiás no Brasileirão, coisa que faltou ao Fla na noite de domingo — Foto: Wesley Costa/O Popular

Pedro Raul foi é a referência do Goiás no Brasileirão, coisa que faltou ao Fla na noite de domingo — Foto: Wesley Costa/O Popular

Dorival, por sua vez, fez a leitura de que a falta de penetração pelos lados impediu aparições mais concretas de Victor Hugo como um centroavante. E explicou por que não usou Mateusão de início.

– O que nós queríamos com o Victor era uma característica que ele tem. Ele sai bem da marcação, flutua muito bem. E ao mesmo tempo ele se faz presente na área. Como trabalhamos com o Mateus (Mateusão) muito pouco tempo, seria arriscado começar com ele.

Como o Flamengo pouco chegou à linha de fundo, Victor acabou tendo atuação apagada e raramente entrou na área. Só recebeu uma bola em condições de marcar no primeiro tempo, mas Cebolinha demorou a se decidir e entregou ao companheiro já com um marcador no encalço.

– A característica do Victor poderia ter preenchido (a ausência de um centroavante) desde que nós conseguíssemos chegar pelos lados do campo como sempre chegamos, com jogadas de combinação. Ai sim o Victor seria importante, porque ele tem cabeceio, ele tem definição, ele bate bem, muito bem. Ele protege, escora, segura e sustenta.

– Como não tivemos jogadas pelas laterais do campo, não só com os laterais, mas pelas laterais, o que envolve laterais e meias, ele ficou com uma função restrita pela própria condição que apresentamos.

Meias, laterais e pontas também não funcionaram contra o Goiás — Foto: Isabela Azine/AGIF

Meias, laterais e pontas também não funcionaram contra o Goiás — Foto: Isabela Azine/AGIF

O que deu certo: sistema defensivo funciona muito bem

 

Bem protegidos pelos volantes, Matheuzinho, David Luiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas pouco sofreram atrás. Exceção ao gol adversário – que esta análise reputa muito mais como mérito de Pedro Raul, que fez o pivô, do que um erro grave da defesa – , todos tiveram ótimo posicionamento e fôlego para frear os contra-ataques do Goiás.

David Luiz mostrou grande poder de recuperação e saiu para o jogo com qualidade. No primeiro tempo, por exemplo, deu lindo lançamento para Cebolinha, que, como na maior parte de suas ações no jogo, tomou a decisão errada e demorou a optar entre o chute e o passe. Acabou entregando a Victor Hugo, que estava marcado.

David também manteve o ótimo nível no jogo aéreo, quesito em que Léo Pereira esteve no mesmo patamar. Os dois ganharam a maioria dos duelos por cima, num deles Léo deu assistência para Matheus França.

Léo Pereira também fez ótimas antecipações, ajudando até mesmo na construção ofensiva. Mas, como citado, o Flamengo esbarrava na pouca inspiração dos homens de frente.

Volantes em alta, e o básico de um “guerreiro” quase resolve

 

Além de combaterem bem, os meio-campistas do Flamengo foram praticamente perfeitos no quesito mais importante para o setor: o passe. Juntos, Thiago Maia, Vidal e Everton Ribeiro erraram apenas sete passes de 196 tentados – índice de acerto de 96%. Maia errou dois de 83, Vidal, um de 70, e Ribeiro, quatro de 46.

Maia tentou acelerar o jogo trazendo a bola do campo de defesa, enquanto Vidal abastecia os homens de lado com boas inversões. Ribeiro foi discreto, mas jogou no sacrifício. No hotel do Flamengo, antes da partida, vomitou algumas vezes e sentiu calafrios.

Mesmo numa noite não tão inspirada, puxou contra-ataque em alta velocidade após roubada de bola de Matheuzinho e entregou, com ótimo passe, a Marinho. O camisa 31, com espaço, isolou. O básico do “guerreiro”, como Dorival o definiu, poderia resolver, mas a chance não foi concretizada.

Garotos entram bem

 

Chamados por Dorival Júnior aos 31 minutos do segundo tempo, Matheus França e Mateusão cumpriram bem seus respectivos papéis. França, além do gol, saiu-se bem aberto pela esquerda, função que ainda não havia realizado desde a profissionalização. Mostrou dinamismo e se movimentou sempre em direção ao gol de Tadeu.

Já o centroavante, apesar de ter tocado pouco na bola, conseguiu ganhar com o corpo uma disputa no meio-campo que quase proporcionou bom ataque com Arrascaeta. Também incomodou no jogo aéreo, e a tendência é que ganhe mais minutos com Dorival após a saída de Lázaro.

Dos jogadores substituídos, Marinho e Everton Ribeiro foram os primeiros a serem sacados, aos 18 da etapa final. O primeiro porque não correspondeu e o outro pela indisposição. Já França e Mateusão substituíram Cebolinha e Victor Hugo respectivamente.

Palmeiras mais longe e clássico na rodada seguinte

 

Com o empate em Goiânia e a vitória do Palmeiras sobre o Juventude um dia antes, o Flamengo viu a vantagem do adversário aumentar para nove pontos e ainda perdeu a vice-liderança para o Internacional de Porto Alegre. No próximo domingo, é dia de clássico e confronto direto. Às 16h, enfrenta o Fluminense no Maracanã.

É bem provável que o Flamengo entre com força máxima diante do rival, já que ficará 10 dias sem jogar devido à Data Fifa.

Com referência(s) no ataque e já sabedor se estará ou não na final da Copa do Brasil, o Flamengo terá mais uma fim de semana para rechaçar as frustrações dos três empates seguidos no Brasileiro. E mais: o Palmeiras também joga clássico, contra o Santos, no mesmo dia.

Se muitos descartam o Flamengo como candidato ao eneacampeonato brasileiro, Dorival Júnior e os jogadores ainda acreditam apoiando-se em reviravoltas de 2009 e 2020. Só o histórico e inspirações, porém, não bastam. É preciso voltar a vencer.

Fonte: GE

COMPARTILHE

Recomendado para você

alegria
Autor de dois gols no último jogo, Esli quer “transmitir alegria” quando entra em campo
invicto
Com derrota da Tuna, Paysandu é o único invicto do Campeonato Paraense
FPF
Caeté e Águia repudiam ataque racista contra o atacante Fidelis
Parazão
Júlio foca em “corrigir erros” da Tuna para reverter vantagem do São Francisco no jogo de volta das quartas